Igrejas cheias x pessoas vazias

Igrejas cheias x pessoas vazias

Nas últimas décadas a igreja evangélica brasileira assistiu de forma passiva, a uma crescente desvalorização da Palavra de Deus.  Essa desvalorização tem sido percebida principalmente porque a palavra de Deus foi colocada em uma posição secundária em nossos cultos. O louvor e adoração passou a ser o ponto central e mais interessante dos cultos. A prova disso é que enquanto dedicasse horas ao louvor cantado e a ministrações intermináveis, sobra pouquíssimo tempo a pregação da palavra de Deus, e quando a Bíblia é citada em nossos púlpitos, tem servido apenas para validar ensinamentos  previamente aceitos como verdade sem contudo avaliar tudo o que a Bíblia ensina.

O pastor Paul Washer de forma sábia faz a seguinte declaração:

“- Terrível coisa para uma pessoa é ouvir uma mentira religiosa, dada por uma autoridade religiosa. Então quando alguém vem mais tarde e tenta pregar o evangelho para esta pessoa, ela não vai querer escutar, porque uma mentira religiosa tem muito poder.”

Por que essas mentiras religiosas tem tanto poder sobre os cristãos? Por que as pessoas em muitas situações encontram-se em um nível de cegueira espiritual tão grande que preferem seguir ensinamentos e doutrinas de homens ao invés de seguir o conselho de Jesus em João 5:39 e examinar as Escrituras?

Respondo esse questionamento citando 2 Timóteo 4. 3-4 que diz:

“- Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, dando ouvidos a mitos.”

Me parece que esse tempo a que o versículo se refere já chegou. O texto diz que virá um tempo em que as pessoas não suportarão a sã doutrina e juntariam mestres para si mesmas, segundo os seus próprios desejos. Ou seja, não querendo mais serem confrontadas e corrigidas pela pregação Palavra de Deus, as pessoas iriam juntar para elas mestres que falassem o que elas gostam de ouvir. É interessante que quando nós lemos passagens como essas, tendemos a pensar em outras pessoas. Talvez um vizinho que frequenta uma igreja onde a Palavra não é ensinada integralmente, ou um amigo que opta por assistir pregadores da TV ao invés de congregar-se em uma igreja. Mas quando nós lemos exortações bíblicas como essas, nós precisamos pensar em nós mesmos. Precisamos nos perguntar:

Quais verdades da Palavra de Deus não suportamos ouvir?

O texto de 2 Timóteo 4. 3-4 fala ainda que essas pessoas dariam ouvido a mitos. Acredito que no contexto atual do protestantismo brasileiro há dois grandes mitos que são aceitos como verdades, mas que na realidade não encontram nenhuma base bíblica. Vejamos quais são estes:

1º mito:  A cultura do pragmatismo religioso:

De forma simples esse termo poderia ser substituído pela frase “Se der certo é porque é de Deus”. Uma igreja pode realizar milagres, sinais e prodígios e ter um grande crescimento quantitativo e ainda sim estar longe do centro da vontade de Deus. (Mateus 7:22-23). A palavra de Deus declara que conhecemos a árvore pelos frutos e não pelos dons. O crescimento Bíblico é antes de tudo qualitativo e pautado na doutrina dos apóstolos, na palavra de Deus e não em interpretações forjadas da Bíblia.

2º mito: A experiência pessoal acima da Palavra de Deus:

Esse segundo mito é bem evidenciado, principalmente em frases superficiais do tipo: “- Não quero saber de teorias, mas sim de experiências com Deus. A experiência tem mais importância do que o conhecimento.”

Porém é isso que a palavra de Deus nos ensina?  Vejamos o que está escrito em João 8:32:

“- E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

Note que o conhecimento da verdade antecede a libertação e a própria salvação, pois a Bíblia também declara que somos salvos mediante a fé, e a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Não falo de conhecimento teológico, até porque a verdade é anterior a Teologia. Falo do conhecimento da verdade manifesta pela palavra de Deus sob o poder do Espírito Santo. Contudo não podemos ignorar o valor da experiência na caminhada cristã. A experiência reforça a Palavra, mas não está acima desta. Como alguém por exemplo pode ter uma experiência sobrenatural e ter a certeza que esta procede de Deus se não conhece a Sua Palavra e nem como Deus se manifesta? Irá se basear apenas na experiência? Irá se basear em testemunho de outras pessoas?

Jesus compreendia tanto que o conhecimento e a experiência devem caminhar juntos que ele mesmo realizava sinais e prodígios, porém quando confrontado pelos Fariseus em pontos cruciais das Escrituras não se esquivava do confronto mas demonstrava grande sabedoria e profundidade no conhecimento da Lei e dos Profetas.

Concluímos que sem o devido conhecimento da Palavra de Deus, incorremos no erro de basear nossa fé em experiências pessoais. Note que apesar do apostolo Pedro ter andado sobre as águas com Jesus e ter realizado curas e milagres, no momento de maior confronto de sua fé, negou a Jesus três vezes. Alguns optam pela experiência sem contudo aprofundar-se no conhecimento de Deus. Nós porém devemos buscar o aprofundamento do conhecimento da palavra de Deus que nos levará a uma experiência espiritual genuína com o Pai.

A paz seja com todos. Amém!

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