O verdadeiro Avivamento.

O verdadeiro Avivamento

Introdução:

Ao estudarmos a história do povo de Deus no Antigo Testamento, como também da Igreja Cristã até nosso dias, podemos observar que Deus de forma soberana promove grandes avivamentos. Mesmo em momentos de grande decadência moral na sociedade, Deus tem o seu remanescente fiel. O tema do avivamento é algo de grande relevância no contexto do protestantismo, visto trazer consigo alguns questionamentos importantes como: Qual o padrão bíblico de avivamento? Quais as consequências do avivamento para a sociedade? Nesse estudo responderemos a esses e outros questionamentos.

O significado bíblico do termo “Avivamento”:

No Antigo Testamento:

O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de “preservar” ou “manter vivo”. Porém, “avivar” não significa somente preservar ou manter vivo, mas também purificar, corrigir e livrar do mal. Esta é uma consequência natural em toda vez que Deus aviva. Na história de cada avivamento, dentro ou fora da Bíblia, lemos que Deus purifica, livra do mal e do pecado, tira a escória e as coisas que estavam impedindo o seu agir.

Abaixo temos alguns exemplos no Antigo Testamento onde vemos referência ao avivamento:

“- Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl 85.6).

“- Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).

No Novo Testamento:

Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. São elas: ‘egeíro, ‘anastáso, ‘anázoe e ‘anakaínoo. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. ‘anazopyréo em 2 Tm 1.6) ou uma planta que lança novos brotos e “floresce novamente” (cf. ‘anaphállo em Fp 4.10).

No Novo Testamento grego as palavras citadas aparecem apenas sete vezes, embora a ideia básica de avivamento seja sugerida com mais frequência. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos, em comparação ao Antigo Testamento, é que o Novo cobre apenas uma geração, durante a qual a Igreja Cristã desfrutou de um grande avivamento.

Algumas considerações importantes sobre O Avivamento:

1º. Avivamento não é um programa agendado pela igreja

Avivamento não é ação da igreja, mas de Deus. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. A igreja não agenda e nem programa avivamento. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. A igreja não produz o vento do Espírito, ela só pode içar suas velas em direção a esse vento.

A soberania de Deus, no entanto, não anula a responsabilidade humana. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. Sem oração da igreja, as chuvas torrenciais de Deus não descerão. Sem busca não há encontro. Sem obediência a Deus, jamais haverá derramamento do Espírito. Contudo, quem determina o quando e o como do avivamento é Deus.

O missionário David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. Aquele jovem, ajoelhado na neve, suava de molhar a camisa, em agonia de alma, em oração fervente, em favor daqueles pobres índios. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus, o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares.

2º. Avivamento não é mudança doutrinária.

Cometem um erro aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea.

Avivamento sem doutrina gera misticismo e experiência subjetivista. Avivamento sem doutrina é apenas movimento. Deus tem compromisso com sua Palavra. O avivamento precisa estar alinhado com a Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas.

3º. Avivamento não é mudança na forma de culto.

Muitos cristãos confundem avivamento com forma de culto, com liturgia animada, com coreografias, com louvor extravagante, com gritos, pulos, ou outras manifestações exteriores.

Louvor que apenas levanta as mãos para o alto, mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. Louvor que não produz mudança de vida, quebrantamento, obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus, não é louvor, é barulho aos ouvidos de Deus (Am 5.23). O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus, a confiarem em Deus. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Sendo assim o louvor não é um espaço da liturgia. Louvor é a totalidade da vida como diz o salmista:

“- Bendirei ao Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34.1).

Qual o sentido do verdadeiro avivamento?

Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos:

1º. O sentido estrito do avivamento.

Estritamente falando, avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. O Espírito Santo renova, reaviva e desperta a igreja sonolenta. É revitalização onde já existe vida. Ou, como disse Robert Coleman, é “o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito”.

Comentando mais sobre o sentido estrito de avivamento, diz o Dr. Martin Jones:

“- É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. Ele a realiza, primeiramente, entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. Não se pode reviver algo que nunca teve vida; assim, por definição, o avivamento é primeiramente uma vivificação, um revigoramento, um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos, dormentes, quase moribundos”.

Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja, os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus; oração fervorosa e louvor sincero; convicção de pecado na vida das pessoas; desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. Em outras palavras, a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento.

2º. O sentido amplo do avivamento.

Como a própria expressão define, neste sentido não apenas a igreja, mas a sociedade não cristã também é beneficiada pelo avivamento. Isto acontece porque, além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo, na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão; isto é, a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada.

A sociedade não cristã, por sua vez, volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Acertadamente o Dr. Héber de Campos comenta:

“- O reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida”.

Que a chama desse avivamento queime nossos corações e possamos buscar em Deus o verdadeiro derramar de seu Espírito Santo, que nos levará ao pleno conhecimento do Salvador e de seu amor insondável.

A paz e graça de nosso Senhor Jesus seja com todos. Amém!

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